25 de mai de 2017

em joão pessoa
mulherio das letras 2017


Mulheres de todo o Brasil se mobilizam para participar do
encontro Mulherio das Letras, em João Pessoa.

Por Mabel Dias

O Mulherio das Letras é um movimento entre mulheres ligadas à literatura que está a todo vapor por todo o Brasil e em outras partes do mundo. Pré -encontros já estão sendo realizados em alguns estados para pensar a participação delas no Mulherio das Letras 2017, o grande encontro que vai acontecer em João Pessoa de 12 a 15 de outubro de 2017.

Em Porto Alegre, o primeiro encontro do Mulherio do RS foi realizado dia 8 de abril, seguido de um segundo encontro, realizado nesta terça-feira, 23, produzindo uma série de propostas, ações e manifestações.

Em São Paulo, para um primeiro encontro, elas se reuniram na Casa das Rosas, na tarde do domingo 7 de maio, reunindo mais de 30 escritoras. Cada uma apresentou as expectativas para o encontro, que foram muito positivas. "Em comum, há uma necessidade de expressão, de compartilhamento da escrita e, pelo o que percebi, todas ficaram contentes de encontrar mulheres com pontos de vista parecidos, embora divergências também tenham sido esboçadas", informa a escritora Susana Ventura.

Em Brasília, o primeiro encontro do Mulherio DF marca o dia 27/05 às 17h, numa livraria.

Em Santos, já está se organizando o Mulherio das Letras Baixada Santista. Uma coletânea de poemas das poetas participantes no Mulherio de todas as regiões do Brasil, com um grande número de adesões, a ser lançada no encontro nacional, está sendo organizada pela poeta e editora Vanessa Ratton, lá em Santos, uma das várias iniciativas que a onda do Mulherio está suscitando pelo país afora.

A partir deste mês de junho, o Mulherio das Letras passa a contar com um programa na rádio Terra da Fraternidade, a ser transmitido de Portugal com e para o mundo lusófono. A Rádio Terra da Fraternidade é mais uma iniciativa da revista inComunidade, da qual uma das editoras é a jornalista brasileira Myrian Naves. No inicio, o programa terá uma hora de duração, e trará entrevistas com as participantes do movimento, dicas de leitura, e detalhes sobre a programação do encontro.

Durante o encontro nacional do Mulherio, em outubro, será lançado o edital para o prêmio "Carolina de Jesus", destinado às mulheres escritoras que ainda não foram publicadas em livro solo. "Este prêmio surge como resposta e provocação, não só a prêmios literários, que reiteradamente premiam apenas homens, como também, a questionamentos falocêntricos sobre a qualidade e a razão de existência de algumas escritoras", explica a escritora Micheliny Verunschk, de Pernambuco.

O nome Carolina de Jesus é uma homenagem que o Mulherio faz a esta escritora que rompeu as várias barreiras da discriminação com seu livro Quarto de despejo, publicado em 1960.

A voz do Mulherio — Para a poeta, Adriane Garcia, de Belo Horizonte: "O Mulherio é um ponto culminante em um movimento que vem acontecendo, paulatinamente, ininterruptamente, na literatura brasileira contemporânea. A ideia de um encontro que reúna essas escritoras que, por todo país, todos os dias, vêm acrescentando a voz das mulheres às letras, quebrando uma hegemonia inegável que nos tem excluído por todos esses séculos".

"O sonho vai se tornando possível de maneira orgânica e sem hierarquia, nos escutando mutuamente e buscando um formato que nos sirva. Tudo indica que o encontro de outubro vá ser um momento importante e fundador de um espaço de fala e reflexão que instaure um modo de nos aproximarmos mais como criadoras, leitoras e cidadãs. Neste processo a internet tem sido indispensável, pois possibilita encontro e comunicação rápida, "afirma a escritora, doutora em Letras pela USP e criadora do movimento #euleiomulheresvivas, Susana Ventura.

Dentro da programação do encontro nacional Mulherio das Letras, de 12 a 15 de outubro, em João Pessoa, haverá exposição de livros das participantes para venda, rodas de diálogo, exposição de arte visual e de poesia, saraus, peças teatrais, entre outras atividades que estão sendo organizadas de maneira coletiva por todas.

No grupo de organização do Movimento Mulherio das Letras, numa rede social, já são mais de três mil e oitocentas mulheres participando.