11 de mar de 2015

em recife
coesia, de raimundo de moraes,
alma henning & aymmar rodriguéz




uma coesia e três autores

No próximo dia 12 de março o escritor e jornalista Raimundo de Moraes apresenta aos leitores mais um personagem baseado na heteronímia — palavra que na linguagem literária significa pluralidade de personalidades na produção autoral, tendo Fernando Pessoa como o exemplo mais conhecido na língua portuguesa.

No livro Coesia surge a poeta americana (de origem sueca) Alma Henning, que teria escapado da 2ª Guerra Mundial junto com os pais, numa longa peregrinação de fuga, incluindo o Brasil na rota. Na segunda parte do livro, retorna Aymmar Rodriguéz, fazendo um grande contraponto de estilo, tempo e temática: enquanto a
poesia de Alma nos remete ao movimento hippie e às lutas feministas da década de 1960, Aymmar nos traz o contemporâneo — ácido e irreverente, já registrado em seus livros anteriores, Baba de moço e Pornópolis.

O lançamento coincide com o aniversário de Olinda e Recife, e neste Coesia a capital pernambucana é retratada como uma monstruosa cadela, através do longo poema de Aymmar Rodriguéz, chamado "A cadela emplumada" — uma espécie de mini épico, acompanhando o crescimento da cidade desde o seu nascimento até os dias atuais.

Em seguida ao lançamento, será realizado um recital no auditório da Livraria Cultura Paço Alfândega, onde vários autores irão dizer poemas de Raimundo de Moraes e de seus heterônimos: Alma, Aymmar e Semíramis.

Serviço
Lançamento do livro Coesia
Alma Henning, Aymmar Rodriguéz, Raimundo de Moraes [posfácio de Lourival Holanda]
Data: 12 de março, às 18h30
Local: Livraria Cultura Paço Alfândega
R$ 25,00


Geografia do nada
[Alma Henning]


Subir numas das serras de Nevada  
montando um mustang sem sela     
como se John Huston filmasse outra elegia
aos desajustados sem perdão
Entrar na boca do grande peixe
Jonas e Melville sentados na língua fofa
navegando em direção ao Tahiti
para beijar as polinésias de Gauguin
Rebolar, mostrar o umbigo
fazer dupla com Mata Hari
trair pátrias que nunca tive
tentar encontrar o fim do exílio
e pertencer a alguma história já escrita





em natal
por isso eu amo em azul intenso,
de regina azevedo








no rio de janeiro
miopia,
de ∑. ramos








em governador valadares
sarau do psia
dia nacional da poesia








em belo horizonte
vórtex você,
de jorge rocha








a ética do bem-dizer nos estudos
lacanianos sobre a comédia,
de laura lustosa rubião








em cataguases
o mar de outrora & poemas de agora,
de ronaldo werneck








em são paulo
(des)focagens da literatura,
de maria heloísa martins dias








diálogos instigantes: trocando ideias sobre
educação, artes visuais e literatura